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Uma Hipótese Conveniente.

Fri Apr 6, 2007, 6:49 PM
Uma suposição: Kafka ria quando lia "O Processo" - ele dava gargalhadas enquanto lia pros amigos "O Processo". E nessa suposição poderia se entender que conglomerados de overdoses de injustiças são engraçadas porque não fazem sentido.

Então, imagine Kafka lendo um outro livro, em que, por excesso de injustiças inteligentes permitidas pelo protagonista, os antagonistas só pudessem inventar injustiças ingênuas. Imagine Kafka rindo enquanto se pergunta: - De que forma os antagonistas conseguiriam que o protagonista não percebesse que estaria se fazendo de imbecil? Agora imagine Kafka dando gargalhadas ao terminar de ler o livro, em que no final: a forma, resposta para sua pergunta, seria qualquer uma desde que o protagonista tivesse certeza absoluta de que imbecis eram os antagonistas e se satisfizesse em lutar contra as poucas injustiças ingênuas que conseguisse entender, ter o sangue no jornal, e mesmo dilacerado, agredido, encarcerado, aparecesse injustamente publicado como opressor, criminoso, injusto.

Vamos inventar um enredo para esse livro:

Uma das coisas que mais chamaria a atenção do jovem seria qualquer coisa que ele pudesse agarrar e considerar como se fosse ele, como se ele se entendesse como o que ele fizesse e se diferenciasse harmônica ou desarmonicamente dos outros que agarrassem outras coisas qualquer.

Em "Germe Now" há a hipótese de que uma relação do representante com o povo seria a do estímulo a busca por melhorias da realidade. Efetivamente porque não só o representante como também as donas dos meios de produção entenderiam que as injustiças, se vistas como estruturas primordiais da civilização, não estariam estimulando o povo a conquistar justiça. Não existem provas disso, apenas escrevamos aqui que novas injustiças seriam fruto com a finalidade de acordar a população em esplendido berço, para colherem algo que pudessem entender como vencível, páreo, dando precedente para conseguirem vencer as injustiças profundas que os próprias donos e representantes não estariam conseguindo vencer por serem injustiças permitidas por todos, unanimemente permitidas, e só todos poderiam aboli-la. Caso não se atingisse essa finalidade esperariam novas pessoas nascerem e tentariam tudo de novo. De consolo a todos os já nascidos que se satisfizeram em permitir as injustiças profundas lutando apenas contra as superficiais inventadas, existiria o livre arbítrio de responsabilizar totalmente os donos das terras, das máquinas, das cidades, "...dos quais reclamam, dão pra maldizer, pra sujar, humilhar, se vingar a qualquer preço, adorando pelo avesso, pra mostrar que ainda seriam propriedade deles...". Nesse livro de Fréncile Ford C'Zola esses poderiam se sentir inteligentíssimos em supor que seria para proteger as "portas das verdadeiras injustiças" - aquelas como o aquecimento global, que unanimemente consideram como uma injustiça contra a qual não podem lutar - que o representante estaria criando mais e mais injustiças no meio do caminho, encobrindo e aprofundando, distanciando infinitamente até mesmo deles próprios. A permissão dada por esses seria tão "arregaçadamente" aberta que aos representantes restariam injustiças sem muita criatividade, obscenas, óbvias, mas enquanto todos permitissem nada poderiam fazer além de continuar criando-as. Caberia à essa representatividade dar ao povo injustiças que eles conseguissem enxergar e as que sujassem o nome dos representantes seria retirada com maior facilidade.

Vamos inventar comentários dos leitores para esse livro:

"Um livro como este é altamente recomendado a jovens. Ele mostra que as injustiças não tão visíveis e as injustiças visíveis não podem ser atacadas e o que os representantes fariam é colocar injustiças na frente."

"li seu livro. Didático e prático. Muito bom! cabe aos representantes dar aos estudantes as injustiças que eles consigam enxergar, mas a única coisa que a parte representativa vai acatar é a parte que pode de alguma forma desmerecer a imagem dela, desmerecer a imagem dela significa algo que está tão na cara de ser injusto que desmerece ela, a imagem fica feia pra ela só porque é algo visivelmente injusto, algo obviamente injusto."

"... sou professor da disciplina de Literatura aqui na Faculdade ... e estou utilizando o seu livro "Germe Now".... aproveito para parabeniza-lo pelo excelente livro!"

Agora terminamos imaginando o que algumas pessoas falaram à escritora fictícia Fréncile Ford C'Zola:


[...] No seu livro eu percebi que a injustiça é algo que precisa ser mudado antes que seja tarde demais. O significado da vida - se alguém quiser saber algum dia - o significado da vida é a única chance que você tem para se tornar imortal. Depois dessa chance nunca mais...

[...] Se pode lutar enquanto se está vivo, porque essa é a única chance, a única chance, a única. Por isso gostei do seu livro. O estudante que vai atrás, que procura, ele consegue perceber as maiores injustiças e encontra, finalmente, é... a maior injustiça de todos os seres humanos, que é a mortalidade. E ele percebe aquilo como real injustiça... [...] ...Seria tão bom se todos percebessem que estão dentro do corpo deles, que eles são o corpo deles, que eles são exatamente o corpo deles, eles não estão dentro: eles são o corpo deles.

[...] Estou um pouco nervoso, tenho muito para falar. É... Pelo que eu entendi, o representante não pode inventar injustiças de uma maneira que os jovens percebam que estão sendo usados porque eles precisam de realidade. Eles lutam por aquilo como se fosse real, como se realmente fosse daquele jeito. (Risadas) Você não imagina o luxo que é estar aqui falando com a Fréncile, posso chamar você de Fréncile, a gente já tem essa intimidade? E, bom, o que acontece no seu livro é que o jovem luta de uma maneira mais injusta ainda porque está lutando contra a injustiça e quer ver injustiça e percebe injustiça e fale: - estou sendo injustiçado. Ai, esse meu lado atriz, já pensou em colocar eu como atriz principal caso façam o filme do “Germe Now”? E vê aquele sangue todo saindo dele e fala: - realmente, eu... eu realmente estou sendo injustiçado, está visível, e agora todo o mundo pode ver que estou sendo morto, mas eles vêem eles vêem que até isso, até o sangue deles, quando vai no jornal aparece que eles, os estudantes, agrediram. Mesmo eles desmiolados, mortos, encare encarcerados, eles aparecem nos textos tendo tê ê né sendo sendo injustamente colocados como pessoas injustas, como eles os vândalos, os destruidores... Porra, que chique.

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